RUI MARTINIANO – PELE

Home / RUI MARTINIANO – PELE
RUI MARTINIANO – PELE

A exposição “Pele” pretende ser um repensar da identidade, visto que “o conceito de identidade é relativamente novo na História da Humanidade. Surge, como já vimos, no Iluminismo e vai conquistando espaço à medida que as discussões sobre a individualidade ganham importância. No início pensava-se num “eu” monolítico e imutável. Posteriormente, formou-se a ideia de um sujeito que se estrutura a partir das relações com outras pessoas. Por último, desenvolveu-se a concepção de indivíduo pós-moderno, na qual a identidade não é fixa ou permanente. O sujeito tem identidades múltiplas e “veste-as” de acordo com o papel que exerce num determinado momento – estudante/trabalhador(a), pai/mãe e marido/esposa, patrão/empregado – bem como papéis de carácter sexualizante como os travestis e as drag queens. “Um tipo diferente de mudança estrutural está a transformar as sociedades modernas no final do século XX. Isso está a fragmentar as paisagens culturais de classe, género, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que, no passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais.” HALL, Stuart, 1992 – MARTINIANO, Rui in “A IDENTIDADE NA INTERNET”, 2006.

“​J​á se disse que a pele é o invólucro do nosso espírito, da nossa “alma”. É a textura do nosso corpo que em séculos passados foi menosprezado, quase excluído das “coisas” importantes das nossas vidas. A pele protege-nos e alberga os órgãos que nos são vitais e animam o nosso ser… os nossos seres, porque finalmente começa a aceitar-se a ideia da nossa identidade multi-facetada, tão complexa que ainda encaramos múltiplas encruzilhadas do nosso auto-conhecimento. Passamos da teoria à prática. Seremos fragmentos de muitos seres, dos muitos papéis que exercemos, da nossa liberdade e da imposição das leis do poder, da igreja e da psiquiatrização comportamental.

Somos, hoje, o que nos permitimos ser porque, finalmente, recusamos a escravatura do ser imutável, formatado e dirigível pelas instituições e pelos grupos sociais em que nos inserimos. Hoje somos nós-vários, cada qual em cada momento, de acordo com o papel que queremos ou devemos representar, de acordo com as nossas conveniências e a confluência dessas diversas assunções do ser, que fazem de nós humanos-únicos, em constantes aquisições do nosso eu plural e mutante. Dentro da PELE de algumas pessoas que aqui abordamos, cabe um mundo em transformação, cabemos nós, gérmen de ideias que, para sempre, nos mudaram. A pele também é operável, transformável, podendo mudar-nos a imagem porque nos assiste o direito de sermos, em cada momento, como queremos. É básico pensarmos que temos o direito de sermos como e quem queremos. É básico e está no limiar do entendimento primário de nós próprios que já vai tão longe!!! Mergulhemos agora no porvir. Dentro da pele estão a passar-se coisas”.

Este trabalho foi desenvolvido pelo artista Plástico Rui Martiniano. Atualmente o seu trabalho aborda os conceitos de identidade, queer theory, sexo, género, identidade sexual, biologia, sociabilização, simulação e simulacro, através do processo de apropriação/autoria. O Artista Plástico Rui Martiniano fez o Curso Superior de Pintura na Escola Superior Artística do Porto, tendo posteriormente realizado o Mestrado em Pintura, na Escola de Belas-Artes de Lisboa, cuja tese desenvolvida versou sobre “A Identidade na Internet\Queer Theory”. Rui Martiniano dá aulas de Educação Visual e Tecnológica e foi mentor do Projecto de Cultura, Moda e Design- DRESS ME- Lisboa. Para além do seu percurso no campo da Pintura, também está envolvido na área de teatro, tendo escrito peças de teatro radiofónico. Dentro desta área Rui Martiniano foi premiado com o galardão “Teatro da Década”, na categoria de melhor texto, pelo Clube Português de Artes e Ideias.